21 de julho de 2010

Bloody Holiday – Peter Torres (Parte 1)

* 2/11/09 – Feriado de Finados

Peter dorme tranquilo em seu quarto, tinha sido uma ótima noite, a casa ainda estava por arrumar, apesar de ser uma segunda-feira o clima estava para domingo, quando de repente seu descanso tão desejado é interrompido pelo telefone que toca insistentemente, ele se levanta olha no relógio, 8:00 AM:

- Alô?!

- Bom dia oficial Torres, quem fala é o comandante Limeira.

- Bom dia comandante, o quê manda?

- O senhor está sendo requisitado para trabalhar hoje.

- Mas... Senhor deve haver algum engano, hoje é a minha folga, e alias estou sendo substituído na equipe do investigador Oldini, que trabalha nesse feriado.

- Infelizmente Oldini não está mais nessa corporação.

- Como assim??? O que aconteceu?

- Ele simplesmente se ausentou esta manhã só fez contato com o chefe para anunciar, inclusive deixou seu nome como indicação para o lugar dele.

- Sé... Sério? – A oportunidade da minha carreira! – Bom, estarei chegando ao departamento em breve.

- Ah aproveite, o chefe está de olho na sua atuação a partir de agora, se você demonstrar um bom serviço pega o cargo de investigador que tanto queria. Até mais.

- Até mais Comandante. – Levanta e começa a se arrumar enquanto murmura - Estranho, com tantos problemas em torno de si, ele resolve sumir, só espero que isso não traga alguma drástica consequência.

Chegando ao Departamento de investigação de São Paulo pela manhã Peter percebe que o assunto do momento é a saída de Oldini, aproveita e vai tentar descobrir o motivo do qual o principal investigador da cidade resolveu sumir, pensa em ir direto à sala de seu chefe, porém decide ir até onde se reúne os oficiais – Vai abaixando a patente, vai aumentando os boatos – Pensou ele.

- Bom dia senhores – Diz entrando na sala do café onde alguns oficiais sempre estão em momentos pouco atarefados.

- Olá Torres, basta olhar pra sua cara e ver que nem dormiu direito, saudades do Oldini? – Brinca César um dos companheiros de trabalho.

- Cara você gosta mesmo de trabalho até na folga vem pra cá – Diz outro.

A risada alheia pouco incomoda Peter.

- Então fiquei sabendo agora a pouco disso, foi por isso que vim trabalhar hoje...

- Está dizendo que veio no lugar do Oldini? – César pergunta, lançando mão da dúvida que parece ser a de todos, levando em consideração a atenção que esboçam.

- Sim – Após a resposta todos param de caçoar e se entreolham com surpresa. – Vou falar com o chefe – Sai. – Pelo visto eles não sabem de nada, são uns tolos só se preocupam com suas baboseiras.

Seguiu para a sala da chefia do departamento, sala essa que muitos que trabalham ali já passaram algum aperto, é pequena com uma mesa no centro e estantes cheias de papeis do dia a dia do trabalho da policia da maior cidade Brasileira. Peter bate na porta e entra, pelo que pode ver ele parecia ser esperado.

- Bom dia chefe.

- Bom dia, oficial Torres – Diz o chefe, homem alto, gordo, careca e com uma cara característica de funcionário público, sempre usa ternos velhos e mal passados, no ponto de vista de Peter deve ser divorciado.

- Estou aqui me apresentando para o dia de serviço.

- Tudo bem, sente-se – na mesa havia uma maleta preta, mas o que chamava a atenção era a face de curiosidade do chefe – Por favor deixe-nos a sós – disse a dois outros membros do departamento que estavam na sala, e ao mesmo tempo que Peter se senta ele se levanta e começa a andar pela pequena sala – Sabemos que você sempre foi um bom policial Sr. Torres, tornou-se um aspirante a vaga de investigador deste departamento – vira-se para Peter – vaga essa que era ocupada pelo Oficial Marcus Oldini, aos poucos você se tornou um dos policiais que mais participava de casos com ele, estava sempre ajudando em algo e até foi citado pelo mesmo na ligação que recebi no início da manhã – Peter atencioso já começa a achar que alguma merda tinha sobrado pra ele – sabíamos pouca coisa sobre nosso agente que se demitiu hoje, sabíamos de seus casos resolvidos, todos com um ótimo serviço demonstrado, o que não sabíamos Sr. Torres é no que Oldini se enfiou nesses últimos meses, no que ele estava trabalhando, sabes de alguma coisa Oficial Torres?

- Não senhor – E mesmo que soube-se não diria sem autorização de Oldini – mas fico a disposição para qualquer dúvida, da qual eu possa responder.

- Sim, claro... – O chefe olha para a maleta em cima da mesa – Oldini disse que os pertences dele que estavam no armário, eram todos destinados a você, esperávamos alguma arma, colete ou até emblema especial para que pudesse utilizar, alguma nota em que demonstrasse gratidão pelo seu trabalho, mas tudo que tinha lá era essa maleta preta, pesada, blindada e com uma senha para abrir, o que me diz?

- Não... não faço ideia do que possa ser chefe – Mas que diabos?! – Ele não me disse nada sobre maleta nenhuma.

- Tem certeza de que não tem a numeração para abri-la?

- Não senhor, nada me remete a senha alguma agora – O que o chefe está pretendendo?

- Pense, do jeito que Oldini é deve ter deixado a informação com você sem que tivesse percebido na hora do que se tratava.

- Pode ser...

- Mas assim que se lembrar de algo, fale comigo.

- Sim senhor – pegou a maleta e saiu da sala, era possível sentir o alivio do clima fora da sala.

Já era hora do almoço e Peter estava comendo no refeitório e olhando para maleta em cima da mesa, apesar de querer lembrar nada o fazia pensar numa combinação de 6 números que faziam abrir a maleta, porém no fundo ele tinha uma ideia do que pudesse ser, em momentos de reflexão sobre o assunto ele é interrompido por César que senta em frente jogando para o alto a concentração de Peter anunciando:

- É hoje! Vou dar plantão na tua equipe, investigador Torres – Dá um sorriso

- Deixe disso, não sou investigador...

- Como não, Oldini sai e você vem, é claro que tá no lugar dele, além do mais o comandante ordenou a equipe para chamá-lo assim agora. Mas é isso aí, só pra avisá-lo, vou almoçar com o pessoal, e preparar as “puxadas de saco” você é o chefinho agora, hahaha –E sai.

- Esse cara é um porre – Suspira Peter e já tenta se animar, ao menos conseguiu ser promovido.

Uma tarde tranqüila e Peter resolve tirar um cochilo na sua nova sala, com estantes vazias e precisando de uma breve limpeza, ninguém para incomodá-lo, estava cansado pois não dormiu direito, até que às 18:00 PM:

- Sr. Torres! – Bate na porta o oficial Pontes.

- Sim?! – Levanta de uma vez em virtude do grau de emergência que parecia ter a voz.

- Ocorreu um acidente grave na Marginal Pinheiros, há pessoas feridas, há ambulâncias e algumas unidades da polícia na área, aconteceu há uns 15 minutos, de acordo com o breve relatório enviado para nós do oficial que está lá, a coisa é bem feia e parece um tanto estranho.

- Defina estranho oficial Pontes!

- Não sei ao certo senhor...

-Alerte a equipe, chame o César e diga para ir pro meu carro agora!

- Sim senhor.

A equipe, formada por 3 viaturas, e com 7 homens se dirige ao local. No carro em que Peter dirige está César, pouco se fala a não ser sobre o procedimento para a situação.

[CONTINUA...]