Tarde dolorosa, nem os pássaros são mais os mesmos, malditos ratos voadores da metrópole. Já topei hoje com mais de quatro derivados da escória na rua e continuo a andar por ela a procura do local ideal para buscar meu encontro. Aprendi tratar sozinho de assuntos importantes e perdi a confiança nas pessoas, a mesma mão que afaga é aquela que apedreja e agora a minha fúria se desdobrou no mais puro ódio, e não me importo com conseqüências, pois do cálice delas já provei de todos os sabores.
Olhando em volta vejo as pessoas caminhando, algumas apressadas, outras devagar, acompanhadas, sozinhas e de várias maneiras que a rotina diária tem para nos oferecer, um verdadeiro rebanho feito com a massa de manobra preferida das pessoas, as próprias pessoas. Ainda que pudesse eu avisar a todos que de nada vale os esforços de suas vidas eles não escutariam, tornariam viável chamar esta idéia de loucura, velha mania humana de isolar aquilo que vem para mudar suas alternativas favoráveis e diferem de suas estúpidas concepções. Bom eu também já fui assim. E ainda não achei o lugar ideal.
- Que horas são por favor, senhor? – Pergunta-me uma voz, virei de uma vez, homem alto e bem vestido, desses que andam pelo centro da cidade, ainda que precisasse saber não quero dar-lhe motivo de tomar nota do horário ali comigo. Meu reflexo e capacidade de reação, bem como meu sistema nervoso simpático, quase o transformou num monte de carne inanimado e estirado ao chão. Me contive.
- Não sei, pouco interessa. – continuo apressado como andava a pouco e deixei o homem com cara de quem não entendeu nada.
Estou um pouco preocupado é verdade, ando por aqui de sobretudo em plena tarde ensolarada no centro e as pessoas notam facilmente, algo em que não tenho muito interesse, carrego comigo uma pistola 9mm e detonadores no corpo caso algo dê errado, mas ainda não achei o local ideal. Me ocorre alguns calafrios e lembro-me do ocorrido, preciso encontrar o maldito que me ajudará, creio que a polícia me trará ele.
Aquela noite, maldita noite, senti a pior dor da minha vida, senti o maior medo que já pude sentir, vi o maior mal que pude presenciar e agora se não fizer nada para mudar isso e evitar que volte a acontecer, prefiro morrer.
Espere, um banco, não muito cheio e com os guardas distraídos como idiotas voltados para a preguiça, é possível sentir o odor vulnerável da rotina. Será aqui.
-Boa tarde senhores – Anunciei com um tiro para cima e outro na cabeça do guarda mais próximo, logo em seguida tomei nos meus braços uma senhorita que gritou de susto junto com todos os presentes, a fiz de refém – Se tudo der certo, ninguém se machuca – Eu acho – Você madame – olhou-me com uma face de medo a funcionaria do banco – Aperte o alarme, Agora!
- Já o fiz senhor
- Ótimo vá para aquele canto e deite-se junto com os demais – É possível ver ao meu redor uma movimentação cautelosa e sem planejamento que os guardas do banco faziam, idiotas. Não demorou muito para o policia chegar e vieram aos montes, junto com a população que fechava o local curiosa. Conversaram entre si um pouco enquanto outros me tinham na mira, só poderiam estar tramando, e la vem se aproximando um homem que não está vestido com um policial convencional, quem será esse palhaço?
- Atenção, sou o oficial torres, entregue a moça e vamos conversar! – É melhor interrompe-lo antes que comece com aqueles discursos de filme.
- Agora é o seguinte, se atenderem minhas exigências tudo termina bem – Silêncio e apreensão – E olhe que são apenas duas senhor Torres – abri com a mão direita o zíper do sobretudo, enquanto a esquerda mantinha a arma na cabeça da infeliz senhorita , foi possível a visualização das bombas, o que gerou desconforto geral, inclusive em mim, elas pesam – A primeira, quero aqui e agora o Oldini! A segunda, quero conversar com ele em algum local reservado, o que me diz? Façamos um trato, salvará as pessoas daqui e sua carreira, já que és um homem jovem deve ser novo no cargo, alguém do qual o senhor deve intensos favores lhe botou neste cargo de confiança e sua insegurança me mostra sua inexperiência – É engraçada a cara de espanto do verme. – Ande! Quero aqui Oldini! – Mais um tiro para o alto assegura que estou impaciente.
- Não senhor, Oldini não poderá vê-lo, não está mais aqui, façamos um trato entre nós e tudo se resolve...
Não... não, não é possível. Não pode ser, como assim não está mais? Calma, tenho que
manter a calma aqui junto a mim, estou tremendo, não vou passar por aquilo de novo...
- ... e assim poderíamos resolver essa situação...
- Não pode ser!!! Tragam-me o maldito, não vou passar por aquilo de novo, não vou!
- Calma senhor...
-Cale a boca! – Estou estranhamente alterado, acho que é o fim. – você não sabe de nada, seu verme! Me deixem falar com o Oldini, e tem que ser agora! – O rosto de preocupação dos policias e do senhor Torres agora me afeta – Não vai dar não é? Ele realmente se foi, não vejo nenhuma unidade tentando qualquer tipo de contato muito menos alguém assegurando minhas exigências – olhei nos olhos da moça que chora intensamente, deixo escapar uma lagrima também – Desgraça!!!!!!!!!!
Notícias do telejornal do dia 18/11/2009 às 18:15:
Um indivíduo invadiu um banco no centro da cidade de São Paulo fez reféns e acaba de explodi-lo, a tropa especial da policia está no local, parece haver muito mortos e feridos, há um intenso alvoroço ............